Processamento de imagens na prática

Visão Computacional – extensão da visão biológica.

Na última sexta-feira assisti à defesa do trabalho de mestrado de um colega, e ele disse algo que me fez repensar a forma de escrever esse artigo. Marcio Frick, em sua apresentação, lembrou que a visão computacional pode ser entendida como uma extensão da visão biológica. Isso não é uma nova informação, mas é uma forma de olhar que muitos de nós esquecemos.

Como muitas das aplicações de visão computacional acabam substituindo uma pessoa em alguma de suas tarefas, muitas vezes ficamos presos à essa ideia de substituição da pessoa pela máquina, quando na realidade esta não é a parte principal do processo. Quando se implanta um sistema de visão computacional em uma fábrica ou laboratório, o ideal é combinar o que os seres humanos fazem de melhor com o que as máquinas fazem de melhor.

Nosso sistema de visão biológico é dotado de duas câmeras de altíssima definição, com ajustes sofisticados para distância, variações na iluminação, detecção de movimento entre outros recursos. A desvantagem é que o software (no nosso cérebro) não gosta muito de contar (pelo menos não quando passa de 50, 100 unidades). Ele se sente entediado com tarefas repetitivas, além de ter, em geral, o julgamento subjetivo condicionado ao estado de espírito!

Canteiro de amores-perteitos
Imagem por mim mesma.
Experimente contar quantas flores tem neste canteiro!

Computadores não têm sentimentos (pelo menos ainda não…) – o que é azul claro hoje, continuará sendo azul claro amanhã, porque ele não vai brigar com a namorada e ir trabalhar achando que o mundo é cinza. Eles não têm sono, e podem contar 3 milhões de partículas em uma lâmina de microscópio sem se distrair nem perder a conta. E não anotam errado!

Como se faz hoje:

No trabalho que mencionei no início do artigo, o objetivo era identificar e quantificar partículas de minério de ferro em amostras analisadas ao microscópio. No Laboratório de Geologia Isotópica da UFRGS, que forneceu as amostras, esta análise é feita por pessoas. Essas pessoas precisam decidir o que contar, ou seja, identificar as partículas diferentes, e então contar.

O estudo ainda não conseguiu construir um sistema que faça todo o trabalho, mas conseguiu identificar algumas medidas que o fazem capaz de diferenciar as partículas para então contá-las.

Como faremos um dia (que pode estar bem próximo):

No momento em que o sistema puder fazer todo o trabalho repetitivo, os pesquisadores do laboratório terão mais tempo para fazer aquilo que fazem melhor: analisar os resultados, idealizar novas pesquisas, criar tecnologia! A eles cabe decidir o que fazer com a informação, assim como cabe ao médico decidir se um paciente precisa de tratamento, ao ver os resultados de um exame de sangue.

Assim como usamos automóveis para nos locomover porque gostaríamos de ser mais rápidos, podemos usar máquinas de ver para ver mais rápido. Usar a tecnologia para fazer trabalho repetitivo, cansativo ou pesado demais não deveria ser pensado como uma substituição do trabalho humano, e sim como uma extensão dele. Algo que nos libera para fazermos aquilo em que somos realmente bons. Pensar, criar, aprender, discutir, inovar.

Referências

Frick, Marcio A. D. Caracterização de Minério de Ferro por Visão Computacional. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Maria. Ainda não publicado.
Obs: dentro de dois ou três meses deverá estar na Biblioteca de Teses e Dissertações da UFSM.

2 Comentários para Visão Computacional – extensão da visão biológica.

  1. karen's Gravatar karen - 19 de abril de 2010 at 0:04 | Permalink

    Ola Gabriela. desculpe eu de novo .aqui esta exatamente meu problema…. “preciso contar e medir as flores azuis”….e estou com medo dos dias cinzas….

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