Outro dia falei um pouco sobre como a teoria Gestalt ajuda a entender como vemos e, entendendo, nos dispomos a criar formas de ensinar as máquinas. Não é de hoje que se estuda desta forma, e hoje vou trazer alguns números que mostram o quanto a ciência faz uso desta tática. Colocando os motores de busca para trabalhar…
Um pouco de história
No início do século XX, surgiram os primeiros defensores de que a forma de ver das pessoas tinha mais a ver com o todo do que com as partes. Eles defendiam, ao contrário do que era entendido na época, que nós identificamos primeiro um objeto completo, e só então tomamos conhecimento das partes. Nesta época, começaram a ser descritas algumas regras pelas quais provavelmente nos guiamos quando vemos (veja no post Gestalt: porque somos melhores que as máquinas?).

O que você vê?
Eles também provaram que, quando observamos um objeto em uma posição e ele desaparece por fração de segundos e volta a aparecer em uma posição ligeiramente diferente, temos a idéia de continuidade. É nisso que se baseia o cinema!
Quando as imagens começaram a ter valor estratégico militar (com o início da fotogrametria de imagens aéreas), e depois com o surgimento dos computadores e do processamento de imagens, estudar a forma como vemos passou a servir para outro fim: descobrir como ensinar a ver. Ensinar máquinas, através de algoritmos de programação. Aí uniram-se a visão computacional e a gestalt.
Survey
Portal IEEE xplore
A IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) é uma instituição voltada para as áreas à engenharia, matemática, eletrônica e afins. Por isso, quando algum trabalho publicado ali faz menção à gestalt, quase certamente não é sobre psicologia ou visão biológica. O portal tem artigos com data de publicação a partir de 1913. O primeiro trabalho em que a palavra gestalt aparece foi publicado em 1956 numa revista de Tecnologia da Informação, e trata da velocidade da observação humana.
Entre 1970 e 1979 foram 5 artigos;
entre 1980 e 1989 foram 10;
entre 1990 e 2999 foram 62 e
entre 2000 e este ano, 99 artigos.
ScienceDirect
Este portal (com artigos desde 1823!) é mais variado em áreas de concentração, por isso foi preciso restringir a pesquisa. Usei a expressão gestalt AND (“image processing” OR “pattern recognition” OR “computer vision”), e obtive o sequinte:
Entre 1950 e 1969, foram 42 artigos, o primeiro em 1952;
entre 1970 e 1979 foram 178 artigos;
entre 1980 e 1989, 349;
entre 1990 e 2000 foram 564;
entre 2000 e hoje, são 626.
Portal ACM
O portal da Association for Computing Machinery retornou 205 ocorrências, começando em 2004, para a palavra gestalt.
Scientific Commons
Descobri este portal recentemente e gostei da idéia de um portal reunir material científico em Crative Commons. Mas ele ainda não tem pesquisa avançada e nem aceita expressões, por isso tive que adaptar:
gestalt “image processing” gerou 21 resultados;
gestalt “pattern recognition” gerou 28 e
gestalt “computer vision” retornou 128 resultados.
Os trabalhos mais antigos são de 1998.
Springer Link
Neste portal usei novamente a expressão gestalt AND (“image processing” OR “pattern recognition” OR “computer vision”). O resultado foram 570 artigos assim distribuídos:
Entre 1970 e 1979: 2;
entre 1980 e 1989: 2;
entre 1990 e 1999: 68 e
entre 2000 e hoje: 498 artigos.
So, what?
Os números são altos e crescentes, o que mostra que esta abordagem tem crescido em importância desde que começou a ser pesquisada. O número crescente de trabalhos também sugere que a combinação dá bons resultados, e está possibilitado a produção de novos conhecimentos. Afinal, produção científica é exatamente sobre isso: produzir conhecimento.
Crédito da foto: Gaetan Lee.


