Outro dia estava procurando novidades interessantes no Scientific Commons e encontrei uma tese de doutorado que descreve a criação de um método para detecção automática de fraturas em radiografias.
O trabalho de Martin Donnelley descreve como ele desenvolveu um método automatizado para detectar fraturas em ossos longos. O texto avisa que as radiografias precisam ser de alta qualidade, máquinas antigas de radiografia não servem porque as imagens tinham mais defeitos e eram captadas por filme, e não em formato digital.
Para os mais desavisados pode parecer algo supérfluo, afinal fraturas não são sempre óbvias como a que aparece na figura? Nem todas.
“Satisfaction or search”

Radiografia de uma fratura.
Também aprendi, durante a minha leitura, que boa parte dos processos por erro médico são motivados por um erro no diagnóstico de fraturas. O médico ou radiologista não viu a fratura, ou não viu todas as fraturas). Em casos de acidentes mais graves, um “mecanismo psicológico conhecido como satisfação da busca (satisfaction of search (SOS)) faz com que o médico se dê por satisfeito por encontrar uma ou duas fraturas.
É aí que entra o método desenvolvido, que é capaz de detectar até a menor imperfeição no osso examinado.
Imperfeição é igual a fratura? nem sempre.
Os resultados dos testes foram uma enxurrada de falsos-positivos em meio aos casos de fraturas reais. Isto vai lhe parecer ruim se você for um engenheiro, mas para os médicos é um bom começo. É melhor que o software exagere no zelo e deixe os casos limites para o médico decidir.
O que os médicos receberiam seria uma imagem como a original, só que com as imperfeiçoes encontradas circuladas em uma cor chamativa. É como alguém dizendo ao médico: “olhe com mais atenção aqui, aqui e aqui.”
O método
Não há como descrever o método em um post (é preciso uma tese de doutorado…). Os algoritmos ficaram bem complexos de implementar e demorados na execução. Esta demora chega a ser um obstáculo para o uso real desta técnica. Obstáculo, não empecilho.
Quem acompanha as novidades tecnológicas é capaz de imaginar alguns caminhos para a aceleração de processos computacionais demorados. A meu preferido é o uso de GPUs para processar imagens. Os GPUs são processadores gráficos que tiveram seu desenvolvimento beneficiado pela indústria dos games e hoje são extremamente rápidos. Alguns pesquisadores já começaram a trabalhar em aplicativos que usem seu poder de processamento para outras tarefas.
Tecnologia de video-game na medicina? Acho que isso nem é mais novidade…
Referências e créditos:
Donnelley, Martin. COMPUTER AIDED LONG-BONE SEGMENTATION AND FRACTURE DETECTION. Tese apresentada à Flinders University of South Australia para a obtenção do título de Doctor of Philosophy. Adelaide, South Australia. January de 2008.
Imagem da radiografia, de Bill in Ash Vegas.



Gostei muito do artigo, pois sou estudante de Radiologia Médica e leio bastante sobre isso.
Beijos !!!
Obrigada, Maríllia!
Olha que horrivel essa fratura de radio. eu ja quebrei o radio e foi desse jeito que ficou o raio X do meu braço.
Nossa muito interessante mesmo, também sou estudante de Radiologia Médica e me agregou muito isso em meu seminário. e claro conhecimento. Parabéns!!!