Outro dia alguém reclamou, em uma lista de discussão que eu acompanho, que ao dar zoom na sua imagem ela ficava “pixelizada” (é, essa palavra já existe… tem mais de 5 mil resultados no google). Perguntou se tinha como o programa resolver isso, para o zoom ficar mais “lisinho”, e ele poder medir circularidade, área, etc.

Só um exemplo...
Quem já conhece imagens digitais há tempos achou engraçado (ou trágico… pobre criança), mas a verdade é que o conceito de imagem digital não está tão claro assim para a maioria das pessoas, quando elas iniciam seus primeiros projetos com o uso de imagens.
Para quem usa microscópio, é comum [inconscientemente] pensar no zoom como um aumento a mais, mas infelizmente não é assim que funciona. O nível de detalhes que se pode ver numa imagem depende de algo que se costuma chamar de resolução espacial, ou amostragem espacial. Se você reconheceu a palavra amostragem, está no caminho certo. Vamos a um exemplo prático:
Uma linha
Digamos que eu tenha desenhado uma linha com uma caneta em um pedaço de papel. Ela seria contínua. Observá-la com um microscópio poderia revelar imperfeiçoes do papel, áreas mais grassas ou finas,… mas nunca quadradinhos. Os quadradinhos (pixels) aparecem quando se transfere para o formato digital / discreto uma informação que era analógica / contínua.
Uma imagem
No momento em que o sensor (ccd, por exemplo) captura a imagem, acontece uma discretização da informação, para que ela possa ser representada digitalmente.

Como um sensor divide a imagem em porções discretas e coleta uma cor (média) para cada uma delas.
Imagine que a borboleta é real, não uma imagem. A imagem forma-se no sensor da câmera fotográfica. Este sensor tem a tarefa de dividir a imagem (que é contínua) em porções discretas, e capturar um valor de cor (na verdade 3, um para cada canal RGB) para cada uma destas porções discretas, chamadas de pixels.
Quanto mais pixels tiver a imagem final, ou seja, quanto maior for a resolução espacial, mais detalhes do objeto real podem ser observados na imagem.
Em microscopia, isto significa que todo o aumento necessário deve ser conseguido com o microscópio, para que se capture a imagem com resolução suficiente.
E qual é a resolução suficiente? Isso depende so que se quer calcular/observar. Para quem precisa medir a área de alguns objetos com precisão de 0,001 mm quadrados, por exemplo, um píxel deve equivaler a, no máximo 0.001 mm quadrados.
E a reamostragem?
A maioria dos softwares possui um comando chamado de redimensionar ou reamostrar, ou resampling. esta ferramenta serve para alterar o temanho dos pixels. Mas ela não faz milagre. Não há como recuperar uma informação que nunca foi armazenada.
O que o resampling faz é uma interpolação dos valores dos pixels para tornar a imagem esteticamente mais aceitável. Quando se quer dobrar ou triplicar o tamanho da imagem para ilustrar um artigo ou apresantação o resultado é bom.

Reamostragem da imagem obtida no exemplo.
Já no meu exemplo com a borboleta…
As imagens de satélite
Na área de Geoprocessamento, o conceito de resolução espacial faz parte do conhecimento básico que o usuáro precisa ter sobre a imagem que vai analisar.
Satélites possuem resoluções espaciais diferentes de acordo com o escopo para o qual foram consebidos. O CBERS, por exemplo, é um satélite para monitoramento de recursos naturais, com resolução em torno de 20 m quadrados por píxel. Isto é suficiente para identificar rios, lagos, florestas, queimadas, áreas agrícolas e áreas urbanas.
O GeoEye-1, satélite comercial que deve fornecer imagens ao Google Earth em breve, é capaz de captar imagen com até 41 cm quadrados por píxel, o que significa ver casas, carros, ruas e, quem sabe o que mais. Estas imagens podem ser usadas para mepeamentos e monitoramentos urbanos específicos, para indicar o caminho da sua casa a um amigo que vem de longe, ou para ver o mundo… mas ainda não dá para ver o gabarito da prova pela janela da casa do seu professor (quem sabe daqui mais uns anos…).
Esse nível de resolução, usado em uma câmera que as pessoas não têm como saber para quem está apontada gera algumas reações nas pessoas e nos órgãos governamentais. Alguns atentam para o uso militar ou de espionagem… outros lembram que poderá ser possível localizar plantios de ervas proibidas. Indivíduos se preocupam com sua própria privacidade e segurança. O fato é que a privacidade está mesmo encolhendo… (o link é dica da Ladybug) mas esse já não é o assunto deste post. Talvez um outro dia.
Até mais!
Crédito das imagens: As imagens são todas minhas.

