Processamento de imagens na prática

Métodos ágeis de desenvolvimento para software científico

Nesta segunda-feira fui assistir à defesa de mestrado de um colega de empresa, Jean Carlo Albiero Berni. O título do trabalho é “Gestão para processo de desenvolvimento de software científico, utilizando uma abordagem ágil e adaptativa na microempresa”. Ele falou, basicamente, de como fazemos software na Animati.

As metodologias ágeis começaram a ser conhecidas a partir da publicação do manifesto ágil, em 2001. Estes autores reuniram suas experiências e colocaram no papel na web, em pontos claros e sem muita conversa, um conjunto de princípios pelos quais eles defendem que o desenvolvimento de software deve se guiar.

Durante sua pesquisa, Jean separou dois métodos (ou frameworks, ou metodologias, ou modelos… deixo para os acadêmicos a discussão de nomenclatura), estudou e aplicou nas nossas equipes de desenvolvimento, das quais também participo.

Usamos o SCRUM e o XP.

Na prática

Antes que me pergunte, não chegamos a adotar a controversa programação em pares do XP, mas é algo que não descartamos para o futuro.

Um quadro de scrum na Animati Computação Aplicada

Usamos os ciclos curtos de entrega ao cliente, a priorização para a implementação de funções que agregam valor ao software, a refatoração frequente do código, a padronização da codificação para que todos possam entender o código todo, o quadro de tarefas do Scrum com gráfico e tudo, e alguns outros.

A figura aqui ao lado é o quadro durante o primeiro sprinte de um projeto de computação científica que ainda está em andamento. Dá para ver que não é nada sofisticado, mas acreditem: isso funciona. O importante é que todos ficam sabendo o que já está pronto e o que ainda falta fazer.

O fato de sabermos que nenhum código é imutável, e que qualquer coisa pode ser refatorada a qualquer momento diminui a insegurança de tentar algo novo, e faz com que se tenda a adotar uma das boas práticas: encapsular. Isso é particularmente importante em projetos como os que trabalhamos às vezes, em que não há certeza sobre o que  vai funcionar no final.

Quanto ao quadro, é ótimo para manter a equipe sempre informada, mas pode ser que tenhamos que achar outra solução, agora que algumas equipes vão incluir estudantes de mestrado e graduação, que não ficam na mesma sala. E teremos que achar um substituto para as reuniões diárias também.

Os clientes

Até agora todos gostaram das entregas mais frequentes. É mais fácil discutir requisitos com algo para ver. A confiança na equipe também aumenta conforme o cliente  o trabalho sendo feito.

As metodologias ágeis nas empresas de software

A adoção de metodologias ágeis é uma tendência mundial. É bom para TODOS os projetos? Claro que não, essas coisas nunca são unânimes. Mas é bom para uma boa parte de empresas.

Por isso, aqui em Santa Maria, algumas empresas se uniram, entre outras coisas, para melhorar seus processos. E escolhemos o SCRUM para estudar e implementar. A Animati e a Sicon já tinham começado, e agora as outras empresas do CentroSoftware tembém vão “agilizar” seus projetos de software.

Queremos que Santa Maria torne-se um pólo de desenvolvimento de software,  e que passe a se beneficiar de uma parte maior do conhecimento gerado em suas universidades.

7 Comentários para Métodos ágeis de desenvolvimento para software científico

  1. JanKees's Gravatar JanKees - 24 de março de 2010 at 11:48 | Permalink

    Oi, Gabriela:

    Sou assiduo leitor do seu blog, muito em parte por trabalhar com o ImageJ no meu doutorado. Mas devo dizer que estou tentado a mudar para o ImLab (comentado por voce em um post anterior), soh que o bicho eh dificil de compilar e eu ateh agora nao consegui fazer isso (estou achando que sou meio tapado!).

    Mas voltando a vaca-fria, vou comecar a trabalhar em uma empresa aqui de Joao Pessoa, onde moro, e fiquei interessado na dissertacao do Jean Carlo Albiero Berni. Na realidade, nesta empresa vou fazer como voce: como minha atividade preferida tambem sao os estudos, vou ler trabalhos cientificos e fazer pesquisas pagas pelo nosso querido CNPq! Daih meu interesse em colocar em pratica o que o seu amigo descobriu na dissertacao dele e ver se isso funciona na empresa onde vou “trabalhar pesquisando” (ou “pesquisar trabalhando”).

    Agradeceria se voce (ou seu amigo) pudessem me enviar uma copia em pdf desta dissertacao.

    Atenciosamente,

    JanKees van der Poel

  2. André's Gravatar André - 23 de abril de 2010 at 14:56 | Permalink

    Será que você poderia mandar o PDF do trabalho do seu colega Jean Carlo Albiero Berni para eu dar uma lida? Att, André

  3. Sergio's Gravatar Sergio - 10 de julho de 2010 at 22:21 | Permalink
  4. Anonimo's Gravatar Anonimo - 25 de setembro de 2010 at 0:32 | Permalink

    É com pesar que comunico o falecimento de JanKees van der Poel que postou uma mensagem dia 24/03. Ele foi sepultado hoje (24/09) em João Pessoa.

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